CinemaTura

Um blog sobre cinema e literatura...

4/05/2009

Partidas (Okuribito)

Opinião de Dri Krüger |


Vencedor do Oscar de melhor filme de língua estrangeira, esse filme japonês é de uma delicadeza profunda. Ainda inédito nos cinemas de BH, Partida, traz para a tela imagens limpas e belas. Um filme que, falando de morte, evoca a vida.
O que me encanta nos orientais é o fato de serem cotidianos, fazem um recorte da realidade sem o compromisso de começo meio e fim. Isso faz com que você seja parte da história sem necessidade de fim, apenas dois eventos que se cruzam: a sua vida e o filme.
Não percam Partida, vivam essa história!

SINOPSE:

Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki) é um apaixonado violoncelista em uma orquestra que acabou de ser dissolvida, encontrando-se agora desempregado. Sem estímulo, Daigo resolve retornar à sua cidade natal, com o objetivo de recomeçar sua vida.
Ele responde a um anúncio classificado que busca profissionais que auxiliem jornadas.
Pensando tratar-se de uma agência de viagens, descobre então que o anúncio é para preencher uma vaga de ?Nokanshi? ou ?acondicionador?, um profissional funerário que prepara corpos dos mortos para a entrada na próxima vida.
Enquanto sua esposa e todos os outros desprezam esse trabalho, Daigo começa a se orgulhar dele e a aperfeiçoar a arte do ?Noukan?, atuando como um gentil intermediário entre a morte e a vida, entre o falecido e sua família.
O filme acompanha sua profunda e às vezes cômica relação com a morte, ao mesmo tempo em que ele descobre a maravilhosa alegria e o significado da vida e de viver.

3/23/2009

Trechos de minha vida em outras vidas

Opinião de R.C, 25 anos, jornalista |

Gosto de leituras com as quais me identifico, nas quais me encontro. E foi isso que aconteceu com certa leitura. Parece que foi escrito por mim e sobre mim.

Como a maior parte dos humanóides, carrego o fardo daquilo que
os budistas chamam de “mente de macaco” – pensamentos que pulam de galho em
galho, parando apenas para se coçar, cuspir e guinchar. Desde o passado remoto
até o futuro desconhecido, minha mente fica pulando a esmo pelo tempo, tendo
dúzias de idéias por minuto, descontrolada e sem disciplina. Isso, em si, não é
necessariamente um problema; o problema é o apego emocional que acompanha o
pensamento. Pensamentos felizes me tornam feliz, mas – vupt! – com que rapidez
torno a me prender a preocupações obsessivas, estragando a felicidade; e então
basta a lembrança de um momento de raiva para eu começar a ficar exaltada e
brava de novo; e então minha mente decide que aquela pode ser uma boa hora para
começar a sentir pena de si mesma, e a solidão não demora a chegar. Afinal de
contas, você é o que você pensa. As suas emoções são escravas dos seus
pensamentos, e você é escravo de suas emoções. (Gilbert, Elisabeth. Comer,
Rezar, Amar)

3/17/2009

Quem quer ser um milionário?

Opinião de R.C, 25 anos, jornalista |

Quem quer ser um milionário retrata a vida de um auxiliar de call center que participa de um programa para se tornar milionário. Esse enredo, a primeira vista pode parecer piegas. Mas não nesse drama, que trás muito além disso. E não é a toa que o filme ganhou 8 estatuetas douradas no Oscar, sendo o grande vencedor de 2009, inclusive como melhor filme.

A história começa a ganhar corpo quando Jamal K. Malik, o simples auxiiar de call center está a beira de se tornar milionário em um programa de televisão. Será que ele está trapaceando? Como é possível ele saber todas as respostas? Será que isso é coisa do destino?

E começam então lembranças de sua vida... Lembranças que nos levam a estremecer frente a uma Índia pobre e cruel como a relatada nessa produção. É claro que há ali muita ficção, no entanto é possível perceber que uma parte da realidade ali retratada.


Bem produzido e com um custo de R$ 15 milhões, considerado ínfimo se compararmos por exemplo com o custo de O Curioso Caso de Benjamin Button, que custou R$150 milhões; a produção desse sensacional roteiro mostra que não é preciso muita grana (dependendo do ponto de vista, é claro) para se fazer filmes de qualidade. E felizmente, a Academia também viu isso.

3/09/2009

Tempo de Violência

Opinião de R.C, 25 anos, jornalista |

Sua diva é Uma Thurman. Uma de suas armas preferidas é a espada, mas não abre mão de uns tiros também. Seus filmes normalmente são sanguinários, mas carregados de um humor sarcástico, valorizando pedaços de corpo humano. Uma bizarrice muito engraçada, pelo menos do meu ponto de vista. A trilha sonora de suas tramas é fantástica e é uma atração a parte. Para completar esse estilo excêntrico, sua marca registrada é contar suas histórias começando pelo fim e conta-las através de fragmentos, normalmente de cada personagem elencado. Ele é diretor, mas ainda assim, tem uma pontinha como ator. Bom, para quem não sabe a quem me refiro, o nome dele é Quentin Tarantino. Em sua filmografia, se encontram Kill Bill 1 e 2, Cães de Aluguel e Pulp Fiction, filme de 1994, do gênero Policial e sobre o qual vou tecer alguns comentários.

Pulp Fiction, Tempo de Violência, envolve essencialmente um gângster, um boxeador e dois assassinos profissionais, que vão dar ritmo a trama. O filme é dinâmico, apesar de seus 154 minutos de duração. É impossível desgrudar os olhos da telinha e se desconcentrar na trama, até porque ao desviar a atenção para qualquer outra coisa que não o filme, se perde o fio da meada de Pulp Fiction.

Uma Thurman, que ao contrário de Kill Bill, em que é a protagonista do filme, aparece em Pulp Fiction num papel secundário, como a esposa do gângster, mas isso não a impede de protagonizar a cena de uma overdose, que foi a que me mais me impressionou, mais que tiros sem razão e porquê, mais que uma cabeça de um corpo no porta-malas de um carro e que foi assassinado.

Esse foi apenas o segundo filme de Tarantino e já contou com um elenco de peso, com John Travolta, Samuel L. Jackson e Bruce Willis. Como Oscar, apenas o de Melhor Roteiro Original, o que a meu ver foi uma grande injustiça. Mas ao menos, justiça seja feita, o filme se sagrou como clássico e imperdível para os admiradores de bons e inteligentes filmes.

3/07/2009

Fatal...

Opinião de Dri Krüger |

Pensei muito na minha primeira postagem para esse blog.
Fatal (Elegy), não poderia ser outro...
Assisti a esse filme em outubro/2008 no Belas Artes numa tarde de domingo.
Nesse exato momento, estou terminando de revê-lo na minha TV.
Poderia abordar esse filme por vários aspectos e vou tentar passear por todos eles. Mas para tanto, não vou me apronfundar.
Começo falando da diretora dessa obra prima, Isabel Coixet. Dela assisti Minha Vida Sem Mim e A Vida Secreta das Palavras.
Pois bem, Isabel Coixet é de uma sensibilidade assustadora. Nos três filmes aborda temas delicados com muita sutileza e profundidade.
Clichês? Talvez. Mas pouco importa, o enfoque é belo e delicado.
Agora, o que dizer de Fatal? Mais um filme que fala do envolvimento de um homem mais velho com uma jovem? Creio que Fatal é bem mais que isso. Ao pesquisar o significado da palavra Elegy - Poema lírico, cujo tom é quase sempre terno e triste - as intenções do filme ficaram mais claras.
Realmente Isabel fez com as imagens, com a música um poema terno e triste, capaz de arrebatar o mais forte dos humanos.
Confesso que sai do cinema atônita, emocionada, confusa, alegre e triste.
Passeio ainda pelas atuações de Penélope Cruz e Ben Kingsley que protagonizam o drama. Simplesmente primorosas!!! Perfeitas nos gestos e olhares. Nas dores e amores.
Sim, estou sendo tendenciosa, mas amei o filme.
Esqueçam o meu olhar e assistam.
Depois voltem pra comentar!!

Subscribe